RIO+20

Biotecnologia – Proposta do setor de celulose e papel
para discussão na Rio+20
O desafio de abastecer o planeta, que permeará as discussões da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, também gerará oportunidades em muitos países, traduzidas na busca de soluções para produzir mais sem esgotar as fontes de matéria-prima. Para se adaptar a esse novo contexto mundial, o setor produtivo terá de aprimorar o uso da terra, da água, de energia e demais recursos, conciliando a produção sustentável de alimentos, biocombustíveis, fibras e florestas (os chamados 4 Fs – food, fuel, fiber, forests).
A biotecnologia vem se destacando como alternativa para atender a tais demandas e simultaneamente reduzir as externalidades ambientais, além de gerar benefícios socioeconômicos. Segundo a International Service for the Acquisition of Agro-Biotech Application (Isaaa), a biotecnologia foi a tecnologia agrícola mais adotada nos últimos 10 anos, com uma área atual plantada 94 vezes maior que a área existente em 1996, distribuída em 29 países. Hoje, já existem mais de 160 milhões de hectares de culturas agrícolas transgênicas cultivadas mundialmente. O Brasil assume papel de destaque no cenário mundial, ocupando o segundo lugar do ranking de área plantada com organismos geneticamente modificados (OGMs) no mundo, uma área equivalente a mais de 30 milhões de hectares.
Segundo a consultoria de valoração e precificação Ceteris, os benefícios da biotecnologia já quantificados e acumulados de 1996 a 2010 incluem o incremento no volume e valor de produção, que atingiu US$ 78 bilhões; a provisão de melhorias ambientais, por evitar o uso de 443 milhões de kg de ingrediente ativo de pesticidas; a conservação da biodiversidade, por evitar que 91 milhões de hectares adicionais de terras fossem destinados à agricultura; a redução da pobreza por meio de programas para 15 milhões de pequenos produtores; e uma redução de emissão de 19 milhões de toneladas de CO2, somente no ano de 2010.
A biotecnologia arbórea encontra-se em fase de testes e estudos, desenvolvidos por acadêmicos, cientistas e institutos de pesquisa de renome internacional. Apesar de representar uma alternativa potencial para os distintos aspectos do tripé da sustentabilidade (social, econômico e ambiental), a tecnologia ainda não foi aprovada nem utilizada em escalas comerciais.
O setor de florestas plantadas, celulose e papel destaca a contribuição da biotecnologia em plantações florestais nos seguintes temas:
Benefícios econômicos
- estímulo para novos investimentos;
- redução de custos de produção e risco de perdas;
- aumento de competitividade.
Benefícios ambientais
- controle de pragas e doenças;
- aumento potencial da produtividade da madeira;
- redução do consumo de recursos naturais;
- incentivo à implantação de sistemas agroflorestais.
Benefícios sociais
- atendimento de demandas geradas pelo crescimento da população mundial;
- educação e capacitação profissional;
- geração de emprego e renda.
É importante ressaltar o uso múltiplo das florestas, com destaque para os setores que se utilizam de produtos de base florestal. Com a estimativa da ONU de que a população mundial atingirá 8 bilhões de pessoas em 2025, haverá um aumento no uso de recursos naturais, o que pode gerar dificuldades para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, o uso da biotecnologia poderá facilitar o atendimento da demanda por produtos florestais dos seguintes setores:
- celulose e papel;
- alimentos;
- energia;
- medicamentos;
- eletroeletrônicos;
- embalagens;
- calçados;
- higiene pessoal;
- automotivo;
- cosméticos;
- brinquedos.
Diante desse cenário, o setor brasileiro de florestas plantadas, celulose e papel defende a inclusão do tema biotecnologia na agenda da Rio+20. O Brasil tem muito a contribuir nesse debate, por sua reconhecida excelência no manejo florestal, por ser um grande produtor agrícola e por possuir terras disponíveis para atender parte significativa da demanda mundial por alimentos, biocombustíveis e produtos florestais.
O objetivo desta proposta é que os participantes da Conferência conheçam os avanços científicos resultantes de estudos e pesquisas da aplicação da biotecnologia como ferramenta essencial para a solução dessas demandas futuras. Além disso, é fundamental que avaliem, ampla e conjuntamente, os riscos e oportunidades do uso da biotecnologia no contexto das propostas para o desenvolvimento sustentável.
O conceito de desenvolvimento sustentável é dinâmico, está em constante evolução e nunca atingirá um estado de inércia. Por isso, a Rio+20 é palco ideal para o debate desse tema, hoje tratado de forma isolada, contribuindo para facilitar a discussão e a promoção de ações multilaterais com objetivos em comum. Desta forma, espera-se que os governos e organizações participantes da Rio+20 incorporem o debate do tema biotecnologia em suas agendas como um dos caminhos para o desenvolvimento sustentável.
É importante que a biotecnologia também seja vista como aliada na implementação de soluções mundiais para os próximos anos, que vão ao encontro das propostas do governo brasileiro para a Conferência, como a erradicação da pobreza extrema, a valorização das florestas na economia dos países, o fortalecimento do multilateralismo, a difusão de tecnologias para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e a proteção de recursos naturais (pagamento por serviços ambientais).








